Media Training

Evite atirar a primeira pedra pela boca

O convite à auto transformação bate à porta para que o comunicador se remodele e possa também ajustar a comunicação.

Como uma bomba prestes a explodir, palavras mal ditas podem machucar pessoas, ferir sentimentos e encerrar relações. O que muita gente diz é: ‘quando eu percebi, já havia dito’, ‘nem percebi o que falei’ ou ‘fiquei nervoso e nem pensei pra falar’. E aí começa a lista de tarefas para tentar apagar o incêndio que, às vezes, nem pode mais ser apagado. O significado emocional que as palavras têm para um ou outro pode determinar a compreensão de uma simples palavrinha que parecia inofensiva. O termo que serviu para comparar, ofendeu. A expressão usada em tom de brincadeira era só pra descontrair e as palavras em tom de ironia, que não tinham a intenção de magoar, corroeram o amor e o respeito. Desculpar-se de novo pode não ser a melhor estratégia. Em vez de tentar remediar, por que não atuar com um tratamento eficaz e sólido e evitar novas crises?

O autoconhecimento é a base para construir o ser humano internamente. A partir da solidez dessa construção, a comunicação poderá fluir segura e confiante.

Antes de soltar o verbo, a energia da palavra faz morada dentro do ser. Portanto, para que elas não saiam agressivas e ofensivas, é preciso fazer ajustes no comportamento. A administração das emoções pode garantir a oferta de uma comunicação mais adequada, respeitosa e empática.

Confira 5 lições que você pode praticar para remodelar sua forma de se comunicar começando de dentro pra fora. A primeira parte do processo de desenvolvimento ainda pode apresentar falhas. Prepare-se para elas e  cresça em desempenho:

  • Antes de falar, pense no que vai dizer. Você pode comandar isso em vez de ser comandado. Analise o que gostaria de falar, filtre o que não deve falar e decida não falar o que não será útil e nem saudável.
  • Caso você não consiga escolher as palavras, porque não se conectou consigo o suficiente, repare no outro. Olhe fora para perceber se o não verbal do outro indica que você disse algo que não deveria.
  • Depois de dizer a palavra ofensiva, evite assumir postura defensiva se o ouvinte se tornar agitado por causa de sua palavra explosiva.
  • Se você errou, o primeiro passo – e mais digno – é ser humilde e pedir desculpas. Explique que não tinha consciência da interpretação negativa e comprometa-se a não repetir a gafe.
  • Mantenha-se consciente para realmente não cometer o erro de novo.

Mas, os cinco passos acima ainda são uma forma de remediar o fato consumado. É hora de realmente se transformar e isso leva mais tempo. O processo de desenvolvimento atinge agora a segunda fase, mais consistente, e que demanda mais atenção e interesse do comunicador. Consciente da máxima de que a responsabilidade da comunicação é do comunicador, é hora de mergulhar mais fundo para encontrar a verdadeira razão do comportamento e remodelá-lo de uma vez:

  • Fale sobre o comportamento da pessoa e não sobre ela. É mais leve dizer: ‘sua mania de deixar as coisas fora de lugar me deixa louco’ do que ‘você é um desorganizado!’. A mania está fora da pessoa, então é possível resolver, mas o fato de o interlocutor ser um desorganizado por inteiro torna esse ser humano imperfeito e nem todo mundo está pronto para entrar em contato com isso.
  • Diga o que sente em relação àquilo que aconteceu. Exponha seus sentimentos, diga como percebeu a situação. Exemplo: ‘eu fico muito desconfortável quando vejo sua roupa suja espalhada pelo quarto’. Prefira falar sobre o seu sentimento do que a possível intenção que o outro teve ao deixar a roupa suja no chão: ‘você faz de propósito e deixa a roupa suja no chão para me ofender. Você quer me deixar louca!’
  • Se você tem mania de falar palavrão, até que esse hábito seja remodelado, troque os termos de baixo calão por outros que podem ser até de brincadeira, como: ‘tomate cru’, ‘vai pra ponte que partiu’, etc. A mudança das palavras pode mudar também o rumo da conversa e deixar o astral menos pesado.
  • Não faça comparações destrutivas. Normalmente, o juízo de valor serve para destruir a autoestima do outro como estratégia de ofensa (por que isso não pode ser estratégia de defesa!) e ainda detona a imagem do outro que está sendo usado para o efeito comparativo e que normalmente não está presente. Exemplo: ‘você é tão desorganizado quanto seu pai, aquele infeliz que não sabia deixar nada no lugar’. Você empresta as características de outra pessoa para tentar atingir o interlocutor com o objetivo de que ele pare de ter determinado comportamento. Isso pode ser um pouco insano, já que não é uma ação motivadora.
  • Pratique virtudes, a melhor maneira de se ajustar como um comunicador eficaz. Paciência, humildade, generosidade e empatia são antídotos contra comportamentos agressivos e palavras ofensivas. A dedicação deve estar na frente para não desistir da prática diária das virtudes a fim de que os resultados apareçam.

Como palavras mal ditas podem ser tornar malditas, é melhor certificar-se de que o desenvolvimento está a contento. Antes disso, talvez a melhor estratégia seja mesmo fechar a boca para evitar o estrago. Depois de baixados os ânimos, as palavras poderão se organizar e cumprir a missão de oferecer o melhor ao outro.

Aurea Regina de Sá

Aurea Regina de Sá é jornalista e coach de comunicação, especializada em Media Training.

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AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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