Media Training e Comunicação Pessoal

Seja curioso e puxe a conversa

7 maneiras de iniciar e manter uma conversa sem parecer chato

Por timidez ou vergonha, muitos deixam de se relacionar, evitam a partilha em grupo e perdem oportunidades. O que muita gente acha é que não domina a arte de puxar uma conversa, por que precisa conhecer o assunto para conversar. Mas, não funciona bem assim. Qualquer conversa é como uma dança: um pergunta, outro responde e a conversa começa a fluir. Quem sabe mais sobre determinado assunto pode contribuir com respostas e quem deseja conhecer mais, pode perguntar.

E você acha que precisa ser um bom entendedor do tema central da conversa para lançar perguntas? Não precisa, não. Seja curioso, investigue, questione, peça esclarecimentos. Você pode investir nas perguntas e deixar o outro falar. Só cuide para não parecer um investigador ou repórter fazendo uma pergunta atrás da outra, como se quisesse descobrir algo. Faça as perguntas iniciais e deixe a conversa encorpar. Com a sua percepção, você será capaz de perceber se a pessoa está confortável em responder as perguntas ou se está se sentindo pressionada.

Ah, e tem mais: quando você questiona alguém que tem conhecimento sobre algo, você eleva a autoestima dele, porque o coloca num palco, numa vitrine. Normalmente quem gosta de compartilhar, se sente bem nessa posição.

Então, vamos lá, vamos para a prática:

Se você sabe que o seu interlocutor gosta de café e ainda por cima é fazendeiro (ele planta pés de café), você pode conversar com ele usando os seguintes temas: economia, estrutura da fazenda de café, gastronomia ou saúde. Confira algumas ideias de perguntas que você poderia fazer:

Economia:

– Você planta café no sul de Minas, não é mesmo? O café produzido lá tem boa aceitação no mercado interno, em outros estados?

– E pro mercado externo, você vende também?

– Considerando o preço da saca, hoje, vale a pena continuar plantando?

– E quais são os incentivos do governo para os agricultores que plantam café?

– Você deve estar ligado a alguma cooperativa lá no sul de Minas, né? Que tipo de apoio eles te
dão?

Estrutura da fazenda:

– Qual é o mínimo de pés de café que é recomendável investir para começar uma plantação?
– Quantos pés você tem lá? (se ele já não tiver falado)
– Hoje em dia com tanta tecnologia, você deve ter só o maquinário na colheita ou não?
– E depois da colheita como você vende a produção? A cooperativa faz isso pra você?

Gastronomia:
– Não sei se um plantador de café conhece de receita, mas como eu gosto muito de café, eu queria saber se você conhece alguma receita diferente?
– Tem sorvete de café também, eu adoro! (essa não é uma pergunta, mas pode detonar um comentário do interlocutor)

Saúde
– Eu já li umas pesquisas que dizem que faz mal tomar café, outras dizem que faz bem. O que é verdade, afinal?

Eu poderia continuar elaborando perguntas, mas vou parar por aqui para você não ficar com a impressão de que sou uma investigadora….rsrs… O fato é que dá pra explorar muita coisa, mas isso deve ser feito aos poucos. Nem estou sugerindo que você faça todas essas perguntas, mas escolha algumas para começar a conversa. Reforço que o importante é começar, puxar o fio do novelo. Ao prestar atenção nas respostas do seu interlocutor, você vai perceber que é possível fazer novas perguntas. Essa é a dinâmica de uma conversa. E essa é a prova de que você não precisa conhecer o conteúdo do outro com profundidade, por que conforme ele te dá subsídios, você constrói novas questões.

Faça perguntas abertas para que a pessoa tenha oportunidade de responder. Por exemplo:

Eu já li que tomar muitas doses de café por dia faz mal à saúde. O que o senhor sabe sobre isso?

Se você der opções, a resposta da pessoa pode ficar restrita como neste exemplo: Afinal, o café faz mal ou faz bem à saúde?

Assim você pede UMA resposta objetiva e se a pessoa não quiser se alongar, ela pode responder SIM, NÃO ou NÃO SEI e aí o assunto acabou. Neste momento, você usa o jogo de cintura e lança mão de outra pergunta.

Mas, todo o tempo preste atenção no que a linguagem corporal do outro significa. O que ele está dizendo, sem precisar falar? Ele está à vontade com suas questões ou está se sentindo pressionado? Você percebe que ele está feliz por ser questionado sobre um assunto que ele gosta tanto ou já cansou? Mantenha-se perceptivo para entender o momento de parar e não ser inconveniente.

Com esse exercício você vai ver que é fácil puxar uma conversa e manter esse diálogo por algum tempo. Além de aprender muito sobre o assunto que antes não sabia, ainda vai criar uma conexão com o outro, porque é claro que tem conhecimento normalmente quer partilhar e vai se sentir satisfeito por que seu assunto chamou atenção de alguém.

Preparado para começar um novo bate-papo?

Vou resumir as dicas para refrescar a sua memória:

1. Faça perguntas abertas para dar chances para o interlocutor falar;
2. Pergunte genericamente sobre o tema. Lembre-se: você não precisa saber profundamente sobre o assunto;
3. Faça comentários ou traga para a conversa referências de uma reportagem que leu, uma palestra que assistiu, etc;
4. Mantenha a percepção ativada para perceber o que diz o corpo do seu interlocutor: ele está satisfeito com o andamento da conversa ou já cansou?;
5. Mostre-se interessado pelo assunto e não banque o investigador ou repórter. A conversa deve fluir naturalmente.
6. Se a conversa virar e o questionado for você, seja original, fale sobre o que sabe e, se não souber, vire a conversa de novo, perguntando o que não sabe;
7. Treine o jogo de cintura. Ria da situação. Divirta-se com o fato de não saber sobre determinado assunto. Sua falta de conhecimento sobre o assunto que é especialidade do outro não vai fazer você parecer menos inteligente do que é.

Sugiro que faça o exercício e depois partilhe sua experiência nos comentários. Talvez você queira ajudar outras pessoas com esse conhecimento, então compartilhe o artigo. 😊

Aurea Regina de Sá

Aurea Regina de Sá é jornalista e coach de comunicação, especializada em Media Training.

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AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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