Media Training e Comunicação Pessoal | Aurea Regina de Sá

Não existe pergunta burra

A ideia de que algo é muito simples para ser dito pode ser excludente.

Classificar as perguntas dos repórteres de burras ou rasas demonstra falta de entendimento sobre a dinâmica da entrevista e o papel do porta-voz. Em uma entrevista jornalística quem detém o conhecimento é o entrevistado. E é por isso que ele é procurado para contribuir com declarações e compartilhar informações que só um especialista sabe. Essa reflexão vale também para conversas que não seja entrevistas especificamente.

Mas, por que então muitos jornalistas fazem perguntas que parecem óbvias?

Esse é outro equívoco: não existe obviedade. A ideia de que algo é muito simples para ser dito pode ser excludente, porque deixar de fora quem não entende do assunto e precisa de orientação básica não é se comunicar bem.

Para uma pergunta simples, ofereça uma resposta completa.

As perguntas são feitas para ser respondidas. O entrevistado deve sempre ouvir a questão e interpretá-la como um estímulo para que ofereça as informações que o repórter não tem. É bom lembrar também que o trabalho do repórter é fazer as perguntas que o telespectador/ouvinte/leitor deseja conhecer.

O repórter deveria se preparar melhor para uma entrevista?

É claro que uma entrevista pode ficar mais interessante e profunda se o jornalista pesquisar e entender o assunto. Dessa forma ele pode explorar melhor o entrevistado e tirar dele informações relevantes. Mas, se você entende que ‘se preparar melhor para uma entrevista’ é ter o mesmo nível de conhecimento que o entrevistado, eu esclareço: é impossível. Normalmente, o jornalista grava várias entrevistas por dia sobre assuntos diferentes e não há tempo para se aprofundar em cada um dos temas.

Como o entrevistado pode oferecer informações relevantes se o repórter não faz perguntas interessantes?

Quem deve conduzir a entrevista é o entrevistado que precisa encontrar e/ou criar espaço para dizer o que deseja. Não espere a pergunta ideal. Terminar a entrevista com a sensação de que poderia ter dito o que não foi questionado é perder a oportunidade de aparecer bem no espaço jornalístico. Essa é a maior lição do Media Training, muito trabalhada nas orientações oferecidas em Backstage. O livro de minha autoria, que mostra as práticas corretas na relação com a mídia, apresenta 31 histórias reais de entrevistas jornalísticas. No manual prático para porta-vozes é possível conhecer os deslizes e os acertos para aprender com quem se expõe na mídia.

Quem conduz  a entrevista é o porta-voz e não o jornalista!

Como o porta-voz pode se beneficiar da entrevista, mesmo que não receba as perguntas que gostaria?

Todo entrevistado deve planejar as mensagens que deseja dizer antes do início de uma entrevista jornalística. O preparo é fundamental para o bom desempenho. A qualquer momento da conversa, o porta-voz deve inserir o que acha relevante, porque não pode contar com a pergunta que gostaria para manifestar o que deseja. A pergunta é sempre uma oportunidade para oferecer uma resposta, então concentre-se no que vai dizer. O foco do porta-voz deve estar na construção da resposta e não no julgamento sobre a pergunta do repórter.

 

Aurea Regina de Sá

Aurea Regina de Sá é jornalista e coach de comunicação, especializada em Media Training.

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AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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